A moda e o trabalho escravo no Brasil

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O Baú Hype é um blog de coisas do bem, mas hoje quero falar sobre uma situação criminosa que às vezes a gente colabora sem saber ao comprar roupas em redes de fast fashion ou de marcas refinadas.

Se você digitar “bolivianos escravizados no Brasil”, vai ver centenas de referências sobre o que está acontecendo na indústria textil do nosso país.

São milhares de bolivianos que vêm p/ cá p/ trabalhar em oficinas de costura. Só que nessas oficinas eles viram escravos. Trabalham até 18 horas por dia, moram em condições subumanas, o salário é para pagar dívidas com os donos das oficinas, ganham cerca de 5 reais por uma peça que é vendida por mais de mil e por aí vai.

As marcas Le Lis Blanc e Bo.Bô, por exemplo, apareceram essa semana na imprensa porque estavam ligadas a oficinas de trabalho escravo.  Outras marcas acusadas de usarem mão de obra escrava são Cori, Emme e Luigi Bertolli (clique aqui para ler a matéria da BBC), Pernambucanas, Marisa, Zara e Lojas Americanas

Quero contar o que eu presenciei sobre isso. Na região onde eu moro (Vale do Paraíba – SP), estão sendo realizadas as chamadas Feiras da Madrugada. Estão trazendo as confecções do Brás, em São Paulo, que vendiam lá em uma feira durante a madrugada, para venderem suas peças aqui. As feiras são realizadas durante 3 ou 4 dias nas cidades da região.

Fui conferir a feira quando ela passou por Guaratinguetá. Os preços das peças eram muito acessíveis, mas o que mais me chamou a atenção foram as pessoas que estavam trabalhando. Acho que 80% (estatística minha) eram bolivianos. Tinha gente de todas as idades, de bebezinhos a idosos.

Uma cena que me chocou foi ver uma boliviana amamentando seu bebê, almoçando uma marmitex e atendendo o público, tudo ao mesmo tempo. Que loucura!

Fora outros bebês em seus carrinhos no meio da muvuca, crianças de 10, 12 anos trabalhando, idosos que aparentavam cansaço extremo, etc.

Se eles eram escravos eu não sei, só sei que naquele momento as condições de trabalho eram MUITO precárias. Falei sobre os bolivianos porque eles eram a maioria, mas os brasileiros que estavam ali se encontravam na mesma situação. Fui embora triste. Era evidente que aquelas pessoas estavam sendo maltratadas.

O objetivo desse post é alertar p/ essa situação que está muito próxima da gente. Vamos espalhar a informação e ficar de olho.

Se possível, evite as marcas que foram descobertas no esquema de escravidão e apoie as que você sabe que trabalham dentro da Lei.

Bjks

* Foto do Notícias Terra

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Comments

comentários

Comentários

  1. Nossa Gi! Quanta marca conhecida! Lembro quando você me falou sobre a feira e achei um absurdo… Não sabia que era assim… Dá vergonha do nosso mundo quando fico sabendo de coisa como essas… E ainda tem gente que nem liga! :/

    1. giane diz:

      Pois é, Camii. Essas foram algumas descobertas no esquema. Imagina qtas outras devem estar tb, né? Muito triste. Vamos ficar de olho. Bjo e obrigada pela leitura.

  2. Isso é uma questão muito séria mesmo, acho que está em nossas mãos e é nossa responsabilidade não comprar nada de lugares assim, e denunciar claro! atravesdosespelhos.wordpress.com

    1. giane diz:

      Obrigada pela visita e pelo comentário, Alana. =D Vou visitar seu blog tb. Bjs

  3. Fulvia diz:

    Sabe Gi, eu fui numa dessas feiras, aq no Recinto de Exposição e eu não me contive e acabei conversando com 2 moças de barracas diferentes, ambas bolivianas e ambas com filhos pequenos q estavam dormindo no chão, forrado com um cobertorzinho. Ambas disseram q eram donas “da barraca” e, o negócio era familiar, por isso estavam todos ( crianças e tudo mais, tudo junto e misturado ) masssssss papo vai, papo vem, uma delas confessou: foi assim, como mão de obra barata que eles conseguiram entrar no país, trabalhavam 18 horas por dia p ganhar uma merreca, moravam no estabelecimento… que coisa né? pelo século 21 e acontece essas coisas….. é de matar!!! as vezes eu deixo de acreditar na humanidade, isso sim!

    1. giane diz:

      Nossa, Fulvia. =( Eu não conversei com ninguém, acho que fiquei tão em choque que só consegui observar. Não esperava ver isso. Acho que quem frequenta a Rua José Paulino ou as ruas do Brás deve estar acostumado a ver bolivianos por lá. Como há muito tempo não passo por essas ruas, confesso que fiquei espantada. Sabia da situação porque havia lido sobre, mas não sabia que eram tantos. Fiquei realmente triste em ver isso acontecendo em nosso país.

  4. Terrível tudo isso! E pensar que hoje em dia, o que seria pra nem existir mais, ainda existe e parece que não há nada sendo feito a respeito né?!
    Adorei o seu post, não o que aconteceu, mas sobre a exposição do problema, acho muito bom alertar a todos!
    Beijocas

    1. giane diz:

      Obrigada pela visita e pela leitura, Marcele! Coisa mais feia e vergonhosa p/ o nosso País, viu… =(